Violência contra a mulher no Piauí cresce 17,6%; parceiros são autores de 76% dos feminicídios, diz relatório
07/03/2026
(Foto: Reprodução) Mobilização pelo dia da mulher: estudantes promovem ação contra a violência feminina
Os casos de violência contra a mulher no Piauí cresceram 17,6% em 2025, segundo o relatório “Elas Vivem: a urgência da vida”, divulgado nesta sexta-feira (6) pela Rede de Observatórios de Segurança. O estado registrou 379 mulheres vítimas de diferentes formas de violência no último ano.
O levantamento aponta que o maior risco está dentro de casa: 76,7% das mulheres assassinadas foram mortas por parceiros ou ex-companheiros.
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Segundo o estudo, que monitorou nove estados, o Piauí enfrenta a mesma crise estrutural de misoginia e controle sobre os corpos femininos observada no país. Além do avanço geral da violência, o número de mortes violentas de mulheres — feminicídios e homicídios — aumentou 4,8% no estado.
Teresina é a cidade com maior número de casos. A capital reuniu 29,3% das vítimas registradas no Piauí e 32,1% dos feminicídios.
O levantamento afirma que os dados indicam que o “não” de uma mulher ainda pode custar sua vida, pois entre as principais motivações para os crimes estão o término de relacionamentos e o sentimento de posse dos agressores.
Armas brancas, como facas, foram usadas em 28,9% dos assassinatos; armas de fogo apareceram em 18,4% dos casos.
O relatório aponta um problema grave na coleta de dados: 92,9% das vítimas de feminicídio não tiveram raça ou cor registradas. A falta de informação dificulta a criação de políticas públicas específicas.
A violência também atinge meninas e adolescentes. Entre as 53 vítimas de violência sexual, 43,4% tinham até 17 anos.
As pesquisadoras Lila Cristina Xavier Luz, Maria D’Alva Macedo Ferreira e Marcela Castro Barbosa afirmam que as políticas de atendimento ainda são insuficientes.
Segundo elas, o apoio do estado não chega às periferias e às cidades distantes da capital. “O poder simbólico da autoridade de pais, líderes e professores muitas vezes alimenta uma rede de abusos”.
Para o grupo, é urgente investir em formação contínua e combater a naturalização da violência, inclusive no ambiente digital.
Onde buscar ajuda em Teresina
Mulheres em situação de risco têm à disposição serviços especializados:
Núcleo de Atendimento às Vítimas: apoio psicológico, jurídico e assistência social. Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 13h. Endereço: Rua Mato Grosso, 268, Ilhotas.
Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar: localizada no Fórum Desembargador Joaquim de Sousa Neto, no Centro Cívico.
Imagem violência contra a mulher.
Divulgação/Senado Federal
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